Toda TPM é igual… ou tem aquela que incomoda mais?

Tensão Pré-Menstrual ou simplesmente TPM é um conjunto de sinais e sintomas físicos e emocionais que algumas mulheres apresentam nos dias que antecedem a menstruação e tendem a diminuir ou desaparecer logo após os primeiros dias da menstruação. De acordo com a intensidade dos sintomas pré-menstruais, podemos identificar três tipos de condição clínica…

 

Sintomas pré-menstruais

A maioria (70% – 85%) das mulheres em idade reprodutiva apresenta sintomas pré-menstruais, sejam eles físicos ou emocionais. Entretanto, isso não significa que você tem a síndrome pré-menstrual, a famosa TPM. Quando os sintomas não aparecem com frequência e regularidade específicas, quando eles não são exclusivos do período pré-menstrual, quando eles não são tão intensos a ponto de comprometer suas atividades rotineiras, isto significa que você tem sintoma pré-menstrual.

O que fazer

O consumo de alimentos saudáveis e a prática de atividade física podem ser grandes aliados no combate dos sintomas pré-menstruais. A mulher deve evitar alimentos como café, chocolate, chás e refrigerantes que contenham cafeína, além de evitar o consumo excessivo de açúcar, sal e álcool. Nestes casos, geralmente, não é necessário o tratamento medicamentoso.

 

Síndrome pré-menstrual (SPM) – A famosa TPM

Cerca de 20% a 40% das mulheres apresentam este tipo de transtorno menstrual. Aqui os sintomas são frequentes, ocorrem na fase pré-menstrual e são de intensidade moderada a severa a ponto de interferir no cotidiano da mulher, incluindo as atividades do trabalho, relações sociais e familiares. Os sintomas físicos mais comumente observados na SPM são o inchaço no abdome e pernas, dor e sensibilidade nas mamas, cólicas, dor de cabeça e alterações de pele. Na esfera emocional prevalecem os sintomas de irritabilidade, nervosismo, ansiedade, alteração de humor, desânimo, insônia, alteração do apetite e do desejo sexual.  

O que fazer

O diagnóstico da SPM nem sempre é muito fácil, pois alguns sintomas podem ser confundidos com outras condições como ansiedade e depressão. Não existe um exame específico para identificar a SPM. O diagnóstico é clínico e por isso uma boa conversa com seu ginecologista é fundamental para avaliar o seu quadro. Além das medidas já mencionadas de alimentação saudável e prática de atividade física, o seu médico ginecologista poderá indicar um tratamento farmacológico com a pílula anticoncepcional e em alguns casos o uso de medicamentos que aumentam os níveis de serotonina, um neurotransmissor responsável por manter o humor em equilíbrio e contribuindo para o bem-estar.

 

Síndrome disfórica pré-menstrual (SDPM) – A TPM que pode tirá-la do controle

O quadro mais severo da TPM é na verdade considerado um transtorno grave, onde predominam sintomas físicos, emocionais ou comportamentais mais exacerbados e necessariamente incluem a ansiedade, irritação e depressão que prejudicam enormemente a qualidade de vida da mulher, a ponto de impedir o desempenho de tarefas cotidianas. Felizmente, este tipo de TPM é menos frequente e acomete cerca de 3% a 8% das mulheres.

O que fazer

Além das medidas gerais, técnicas de relaxamento e medicamentos indicados para o manejo da TPM clássica, na SDPM pode ser importante a avaliação e o acompanhamento conjunto com um psiquiatra, considerando a severidade dos sintomas e o impacto deste transtorno na qualidade de vida da mulher.

 

Afinal de contas: é TPM ou SPM?

Tecnicamente, o nome é Síndrome Pré-Menstrual (SPM) porque engloba sinais e sintomas muito abrangentes, tanto emocionais como físicos. De acordo com o tipo e intensidade dos sintomas e o impacto que exercem nas atividades do dia a dia, podemos ter um quadro mais extremo e mais grave de SPM, conhecido como transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).

 

TPM: por que ela acontece?

As flutuações hormonais, que normalmente ocorrem durante o ciclo menstrual, exercem influências nos neurotransmissores do sistema nervoso central (SNC). Mulheres susceptíveis e com disfunções no SNC podem apresentar manifestações físicas e emocionais decorrentes desta interação. Dessa forma, durante a segunda fase do ciclo menstrual (após a ovulação), quando ocorrem grandes oscilações hormonais, sintomas tanto emocionais, quanto físicos podem estar presentes.

 

Quais são os principais sintomas da TPM?

Os sintomas são muito variados e podem ser diferentes para cada mulher e ainda de variar de mês a mês. São reconhecidos cerca de 150 sintomas entre os físicos e os emocionais. Vamos falar dos mais comuns….

Sintomas físicos: sensibilidade ou dor mamária, inchaço abdominal, cólicas, dor de cabeça e manifestações cutâneas como a acne e oleosidade da pele.

Sintomas emocionais: irritabilidade, raiva, fadiga, distúrbios do sono, alteração do apetite (compulsão alimentar), ansiedade, depressão, labilidade do humor e distúrbios sexuais.

 

Porque os sintomas da TPM ocorrem?

Os hormônios sexuais estrogênio e progesterona que são produzidos pelos ovários sofrem oscilações importantes durante o ciclo menstrual, principalmente, nas mulheres com ciclos ovulatórios. Estes mesmos hormônios exercem influência sobre substâncias químicas (neurotransmissores) que atuam no sistema nervoso central e que são responsáveis pelo controle do humor, ansiedade, sono, alimentação e sensação de bem-estar, entre outros. Os principais neurotransmissores são a serotonina, dopamina, noradrenalina e endorfina. Além disto, durante a menstruação são liberadas substâncias químicas inflamatórias (citocinas), que também atuam no SNC e localmente promovendo cólicas e interferindo no sangramento menstrual. O conjunto destas ações complexas determinadas pelos hormônios sexuais, neurotransmissores e citocinas inflamatórias é responsável pelo desencadeamento dos sintomas da TPM.

 

Como combater os sintomas da TPM?

Devido à natureza dos sintomas estar relacionada as flutuações hormonais que ocorrem durante o ciclo menstrual, o uso de pílulas anticoncepcionais de última geração, principalmente quando usadas com pausa curta ou de forma contínua são uma arma poderosa no combate aos sintomas da TPM. Elas exercem um controle e estabilização maior sobre as flutuações hormonais do ciclo menstrual e efeitos favoráveis sobre os principais sintomas físicos da TPM.